“Yes! Nós temos bananas. Bananas pra dar e vender”. Na voz de Braguinha e Alberto Ribeiro, a marchinha marcou o carnaval de 1938. A música antecipou os temas do movimento cultural Tropicalismo no Brasil. Por ser uma das frutas mais produzidas no país, acabou virando estrofes de poesias, de composições e foi usada também como enfeite na cabeça da cantora Carmem Miranda, outro símbolo da música brasileira. No Oeste do Paraná, em Medianeira, a fruta se destacou. Numa região onde predonima o cultivo da soja e milho, agricultor aposta na produção que tem destino certo. Recentemente os alunos da rede municipal de ensino puderam falar, sim, nós temos bananas! O alimento se tornou mais um reforço na alimentação: a banana foi incluída no cardápio da merenda escolar. A fruta é produzida na propriedade de 1,5 alqueire de Pedro Viar, em Recreio Paraíso. O cultivo começou há 10 anos, conta Marciano Belini, responsável pelo bananal. É ele quem colhe, sozinho, os cachos de aproximadamente 10 mil pés de banana prata plantados, variedade mais consumida no Brasil. É ele também quem explica o processo de produção. Conforme Marciano, “a planta leva um ano para produzir um cacho pronto para a colheita, mas em época de chuva boa, em oito meses já está boa”. Cada pé produz uma única vez, e é derrubado depois de colhido para dar lugar à formação de outro broto. São sempre três pés juntos, sistema a que o bananicultor chama de “a mãe, o filho e o neto”. É o próprio pé que produz o broto, que deve ser único. “Os excedentes tem que arrancar”, observa Marciano, e justifica: “para não dividir os nutrientes e prejudicar o desenvolvimento da planta”. Como a produção não dispõe de sistema de irrigação, é preciso contar com São Pedro para garantir a colheita. “A banana agüenta até 60 dias de seca, até porque 90% dela é água. Mas, graças a Deus, ultimamente não passa de um mês sem chover”, aponta. No período de safra, entre os meses de agosto e setembro, o produtor chega a colher cerca de 10 mil kg da fruta. “Disso pra mais. Já cheguei a tirar 20 mil kg”, lembra. Hoje quase toda produção é entregue à merenda escolar, poucos cachos abastecem mercados locais. “Ano passado entregava nas casas, casa por casa, para não perder o produto. É triste você ver o produto se perdendo na roça. Agora tenho 6 mil kg encomendados para entrega”. A preço de banana Pela caixa de 20 kg da fruta Marciano ganha R$ 15,00. Nos mercados o produto é entregue por R$ 0,75 o quilo. “É barato, há 11 anos a banana está o mesmo preço no mercado”, aponta. Benefícios Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a cultura da banana ocupa o segundo lugar em volume de frutas produzidas no Brasil e a terceira posição em área colhida. E entre as frutas mais consumidas nos domicílios das principais regiões metropolitanas do país, a banana só é superada pela laranja. Consumida em todas as camadas da população, a banana se faz presente na mesa dos brasileiros como um alimento, não apenas como sobremesa. Considerada como fruta de preferência popular e como a mais importante fruta tropical, a banana apresenta alto valor nutritivo. “É um alimento energético, rico em carbohidratos, sais minerais, como sódio, magnésio, fósforo e, especialmente, potássio. Apresenta predominância de vitamina A e C, contendo também as vitaminas B1, B2 e B6, contém pouca proteína e gordura”, aponta a nutricionista Silvia Letícia Alexius, responsável pela merenda das escolas do município de Medianeira. Empregos No Brasil, o setor gera mais de 500.000 empregos diretos. Segundo dados do IBGE, no ano de 2001, a cultura foi a segunda mais produzida, ficando atrás somente da laranja. Apresentou uma área colhida de 510.313 ha, com uma produção de 6.177.293 toneladas de frutos, o que correspondeu a um volume de negócios superior a 1 bilhão e oitocentos milhões de reais no mesmo ano. Variedades Existem quatro tipos principais de variedades de banana: banana prata, banana-maça, caturra ou banana-d´água e a banana-terra.