15.10.07
Jornalismo Cultural
O escritor Jorge Rivera, em seu livro El periodismo cultural, traz uma definição mais abrangente para jornalismo cultural [...] uma zona muito complexa e heterogênea de meios, gêneros e produtos que abordam com propósitos criativos, críticos, reprodutivos ou divulgatórios os terrenos das ‘belas artes’, as ‘belas letras’, as correntes do pensamento, as ciências sociais e humanas, a chamada cultura popular e muitos outros aspectos que têm a ver com a produção, circulação e consumo de bens simbólicos, sem importar sua origem ou destinação (RIVERA, 2003, p. 19).
Para entender melhor, devemos analisar o Jornalismo Cultural além da divulgação dos acontecimentos ligados à pintura, teatro, música, cinema e livros. É preciso estender o olhar para a cultura popular, o comportamento social, a manifestação das idéias, os acontecimentos do cotidiano, muitas vezes não divulgados pela mídia. O profissional que atua na área deve ir além da divulgação dos acontecimentos que movimentam a agenda, ou que se limitam apenas ao comportamento ditado pela indústria cultural.
O jornalista Breno Castro Alves, em entrevista publicada no site Comunique-se, em Os Desafios do jornalista que cobre cultura, aborda o esforço e a dedicação que o jornalista deve ter. “Essa vertente [a do jornalismo cultural] se propõe a cumprir a tarefa de cobrir, analisar e relatar os principais expoentes da produção cultural do gênero humano, em áreas tão diversas quanto dança, artes plásticas, teatro, música ou cinema e em regiões que vão desde o sertão nordestino até as estepes russas”, diz o trecho da entrevista.
O livro Jornalismo Cultural escrito por Daniel Piza, editor-executivo e colunista do Caderno2 do Estado de São Paulo, mostra que o jornalismo nesta área tem a função de seduzir o leitor e também de influenciá-lo, estimulando-o a pensar.
O pesquisador Heron Vargas aponta para o fato de que, quando se fala em Jornalismo Cultural, as pessoas ficam atreladas à idéia de produção jornalística para um público informado, erudito. Na verdade, segundo ele, a produção da informação na área de cultura deveria ser mais ampla, mais profunda e mais crítica. O autor ainda alerta para as questões da modernidade, da corrida contra o tempo e os problemas que a produção e a tecnologia impõem sobre o fazer jornalismo cultural.
O jornalista e professor Manuel Carlos Chaparro, em um artigo assinado em 1998 e divulgado na internet, comenta que o jornalismo deve evoluir com a tecnologia, mas atrelado sempre às idéias de que o homem é um criador potencial de informações e produção de cultura, e que o bom jornalismo não pode estar ligado somente aos bens de consumo da sociedade atual.
Sérgio Rodrigues aponta algumas saídas para a elaboração de um bom trabalho. Ele relaciona os cuidados com as fontes, alerta para um maior investimento na qualificação intelectual dos jornalistas e principalmente mais atenção às áreas que não estão sendo cobertas ou pouco citadas. “Criatividade nas pautas e nas coberturas, uma certa coragem de ir contra o público, ou seja, uma coragem de mostrar ao leitor coisas importantes e interessantes, diferentes daquilo a que ele está acostumado ou que deseja ver, ler e ouvir”. (RODRIGUES, 2004).
Jornalismo Cultural deve ser observado por meio de um olhar mais crítico, mais abrangente e menos industrial. A cultura não pode ser analisada apenas na cobertura de eventos. A visão mais ampla da produção jornalística e dos assuntos voltados à cultura mostrará um mundo de diferentes interpretações, gerando novos conhecimentos.
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criado por ivanirgebert
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